Porque o Sentido da Vida é mesmo isso.

Sentado no desconforto, de costas para o futuro, observo o caminho que vai ficando para trás, num turbilhão de imagens e sons desconexos. Um arrastamento de tudo e nada inunda-me os olhos e sufoca-me. O aperto no peito é demasiado. Troco de lugar. O desconforto é o mesmo. Mas já não vejo o caminho que percorri. Vejo o horizonte para onde me dirijo. Espero, na ânsia de uma criança, que o torpor desvaneça e que tudo faça mais sentido. Puro engano. Atravesso um túnel escuro, apenas sons cavernosos, rangeres e estalos. Nenhuma imagem. Somente a estranha sensação de claustrofobia, um mundo inteiro a implodir, sugado para o meu peito. Questiono-me até que ponto o meu esterno conseguirá suster os milhões de toneladas de massa negra que giram em meu redor. Fechar os olhos de pouco adianta. A treva é a mesma, a sensação é a mesma. Preso dentro do túnel sem fim, sem nenhuma luz, por mais ínfima, para me aquecer a alma. Penso no que fiz e no que disse, no que ganhei e no que perdi e chego à conclusão insossa que deixei coisas por fazer e por dizer, ganhei menos que perdi e perdi menos do que poderia ter ganho. Um resultado medíocre de uma viagem curta. Mas prontamente surge a luz no fundo do túnel. Não uma luz brilhante, calorosa, tranquilizante. Não. Uma luz esbatida, seca. Saído do túnel, o futuro está ali, à distância de uma carruagem. O comboio pára. A última estação. A última paragem. Meto a mochila às costas curvadas e finalmente saio do comboio. Inspiro o ar fresco, descobrindo que de fresco não tem nada. Olho à minha volta e vejo uma estação igual a todas as outras. Tudo igual. Nada muda. As coisas não mudam. Tudo é uma repetição, uma reciclagem, uma redundância de uma redundância. Nem melhor, nem pior.

E assim o Blogue Verdades Inquestionáveis e Absolutas narra a sua última paragem. O fim de uma viagem.

Verdade Inquestionável e Absoluta #11

Deus criou o Mundo. A Mentira criou o Homem.

Publicado em: on Outubro 21, 2009 at 1:19 pm  Deixe um Comentário  

Se no B.I. estivesse “12/11/1976″….

O vídeo não me pertence. As fotos não me pertencem. E a música muito menos.

Mas como até acho graça às fotos e gosto da música, cá está.

Um pequeno tributo aos anos 90.

Publicado em: on Outubro 20, 2009 at 1:39 pm  Deixe um Comentário  

De tanto bater o meu coração parou

Porque noutra vida fui um trovador emborrachado.

Ou então fui mãe solteira, não sei.

Publicado em: on Outubro 20, 2009 at 12:43 pm  Deixe um Comentário  

Verdade Inquestionável e Absoluta #10

O indivíduo aleatório estava a escrever um enorme texto sobre as coisas que achas que tens e que perdes, mas que afinal nunca tiveste para começar, mas entretanto deu-lhe uma epifania.

Por que raio vais escrever num blogue? Por que raio vais libertar toda a frustração e afins em palavras que só conhecidos vão ler? Em textos miseráveis, com metáforas de meter num saco, sobre como estás “tão triste e deprimido”.

Não. Isso é idiota. Faz o seguinte:

Faz o que toda a gente faz. Esquece. Mete o que sentes num saco e deita fora. Não queiras ser o Médico à procura da cura para a Morte. Não dá. “Ah, Eternal Sunshine of the Spotless Mind, esquecer o que é sentir o amor por determinada pessoa, não o quero fazer, quero continuar a sentir, quero blá blá blá (…)”.

Queres ser idiota. Queres manter as metáforas. Meu amigo, faz o seguinte #2: Esquece as metáforas. Não precisas delas. O bonito namoro acabou-se. C’est la vie. Toda a gente sabe do que estás a falar, de qualquer forma. E isto, este blogue, serve-te de quê? “Acho que és uma pessoa interessante, não tenho emprego para te dar, mas podíamos ir beber um café.” Não. Não te serve de nada. Se queres um café, bebe no Cinema City, que é de borla.

E agora? Sem metáforas a exposição é demasiado evidente. Com metáforas podes sempre mentir. Dizer que não é bem assim. Mas e agora? Até parece que tens um vídeo na net, não? Eheh. Custa um bocadinho, não é?

Pois. É a vida. Engole o sapo.

Sentes que não fizeste a diferença? É o que mais te custa? Pois… É fodido, não? Essa sensação de vulgaridade é fodida. Essa sensação numérica de “Apenas mais um”  está a tirar-te a fome? Não engordas nem emagreces, por isso não tens problema. E sentes sempre que estás na sombra de alguém? Meu menino, e mais confiança, não?

Isso. Deita tudo cá para fora. Sem metáforas.

Tinhas planos? Que fofo. Gostavas realmente de partilhar um T1 com essa pessoa? Realmente adorável. Espera, espera… Querias ser o pai dos seus filhos?!  Meu amigo, és brilhante! Um verdadeiro génio da comédia. E estás triste por que tudo acabou? Oh meu caro, partilho a tua tristeza, então. Dou-te uma pancadinha no ombro e fica tudo bem.

Não te sentes algo desconfortável por estar a escrever tudo isso aqui? Sem metáforas? O próximo café vai ser algo incomodativo para ti, não?

Pronto, já está tudo? Este pequeno momento de auto-comiseração terá alguma utilidade. Não tens de te rebaixar mais. Está tudo aqui. Em texto. Letras e pontos. É bem mais fácil.

Estás aliviado? Não sabes? Raios, homem! Decide-te! Vá, publica lá isso. É só um clique. Depois vais fumar um cigarro e vais para a caminha. E está feito! Exorcizaste os teus demónios!

Foi um prazer ajudar.

Ah. Verdade Inquestionável e Absoluta #10: Mais vale parecer inteligente que sê-lo.

Publicado em: on Outubro 19, 2009 at 12:19 am  Deixe um Comentário  

Olhar para o tecto faz-me pensar

As pessoas queixam-se de estar fechadas entre quatro paredes. Não. O que vos fode realmente é o tecto.

Publicado em: on Outubro 18, 2009 at 11:39 pm  Deixe um Comentário  

Humor díluido em água e Valium.

Qual a melhor companhia que um maníaco-depressivo poderia ter? Outro maníaco-depressivo.

Menos com Menos dá Mais.

Uma piada para os matemáticos.

Publicado em: on Outubro 18, 2009 at 11:32 pm  Deixe um Comentário  

Não gosto de relógios

Há um sítio onde são sempre 01:10. A sério.

Pena ter-me esquecido do caminho.

Isto lembra-me uma pequena história. Que é assim:

“Era uma vez uma rapariga que todas as noites olhava a lua e aos seus olhos todas as noites a lua estava cheia. A luz que emanava daquela esfera de ilusões alterou a cor dos seus olhos. Ao fim de muitos anos a olhar a lua a rapariga cegou. E pronto, agora está cega. Não há grande desfecho. Cegou. Ponto final.”

Não sei quem possa ter escrito esta história (e daí tenho uma ideia), mas merecia a guilhotina.

Apenas uma ideia.

Publicado em: on Outubro 18, 2009 at 11:26 pm  Deixe um Comentário  

Eternal Sunshine of the Spotless Mind

“Apetece-me obliterar-te”.

A ironia fode-nos sempre, uh?

Publicado em: on Outubro 18, 2009 at 1:45 am  Deixe um Comentário  

Ao dia 360 e troca-o-passo, Deus chorou

Abram os guarda-chuvas, meninos e meninas. Vai chover.

Excepto tu. Não precisas. Nem uma única gota te vai molhar o cabelo.

Eu não deixo.

Publicado em: on Outubro 18, 2009 at 12:52 am  Deixe um Comentário  

Vícios e Pinturas

Tiro o cigarro e coloco-o na ponta dos lábios azulados e feridos. Procuro o isqueiro no bolso e quando a chama incendeia o meu vício, apercebo-me que não é vício. E que todas as vezes que fiz deslizar pela minha garganta o néctar inebriante, tão-pouco o fazia pelo vício.

Não. O vício é outro. É o vício da tela. O vício do palco. O vício dos movimentos e das 24 fotografias capturadas num segundo.

É o vício da perda.

Componho-me no plano da minha vida, bem enquadrado e tentando parecer o melhor possível. O cigarro está lá, o álcool está lá, as roupas estão lá, o olhar está lá. O desejo de ser um “rebelde sem causa” consumado por uma mão cheias de adereços e de gestos. É esse o vício da farsa.

“Faz tudo como se alguém te observasse.” É o que faço, Epicuro.  Mas não chega.

E ali, com o cigarro na boca e uma garrafa na mão, as coisas deixam de parecer bem. As coisas não ficam melhores, porque afinal um vício é um vício.

És um artistazinho fingindo-te de James Dean?

Essa tela pintada de cores que não existem, riscos mal desenhados, uma figura disforme, mas que era a tua. Aquilo que tinhas criado. Aquilo que tinhas construído. Mas não sozinho… Não o fizeste sozinho. Os teus dedos, a tua mão, traçou o rumo dos traços. Limitaste a segui-la.

Mas ela tinha outras ideias… E num gesto despedaçou-te o quadro, e agora! aquilo que construíste desmoronou-se. Aquilo que te ajudou na concepção da tua, não, vossa,  pintura, tanto trabalho, tanto suor e tantas lágrimas, num ápice caiu pelo chão. Findou-se. Acabou. No más. És um artista sem tela nem pintura.

Mas é a vida. Podes sempre pintar outra. Sim? Claro.

Mas não. Nem pensar. Pegas no que fizeste e voltas a pôr no sítio. Juntas todos os pedaços rasgados. A mão reprime as tuas acções? Tenta dificultar-te o trabalho? Paciência.

Vamos pintar um sorriso nessa mão.

Publicado em: on Outubro 18, 2009 at 12:37 am  Deixe um Comentário  
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