O indivíduo aleatório estava a escrever um enorme texto sobre as coisas que achas que tens e que perdes, mas que afinal nunca tiveste para começar, mas entretanto deu-lhe uma epifania.
Por que raio vais escrever num blogue? Por que raio vais libertar toda a frustração e afins em palavras que só conhecidos vão ler? Em textos miseráveis, com metáforas de meter num saco, sobre como estás “tão triste e deprimido”.
Não. Isso é idiota. Faz o seguinte:
Faz o que toda a gente faz. Esquece. Mete o que sentes num saco e deita fora. Não queiras ser o Médico à procura da cura para a Morte. Não dá. “Ah, Eternal Sunshine of the Spotless Mind, esquecer o que é sentir o amor por determinada pessoa, não o quero fazer, quero continuar a sentir, quero blá blá blá (…)”.
Queres ser idiota. Queres manter as metáforas. Meu amigo, faz o seguinte #2: Esquece as metáforas. Não precisas delas. O bonito namoro acabou-se. C’est la vie. Toda a gente sabe do que estás a falar, de qualquer forma. E isto, este blogue, serve-te de quê? “Acho que és uma pessoa interessante, não tenho emprego para te dar, mas podíamos ir beber um café.” Não. Não te serve de nada. Se queres um café, bebe no Cinema City, que é de borla.
E agora? Sem metáforas a exposição é demasiado evidente. Com metáforas podes sempre mentir. Dizer que não é bem assim. Mas e agora? Até parece que tens um vídeo na net, não? Eheh. Custa um bocadinho, não é?
Pois. É a vida. Engole o sapo.
Sentes que não fizeste a diferença? É o que mais te custa? Pois… É fodido, não? Essa sensação de vulgaridade é fodida. Essa sensação numérica de “Apenas mais um” está a tirar-te a fome? Não engordas nem emagreces, por isso não tens problema. E sentes sempre que estás na sombra de alguém? Meu menino, e mais confiança, não?
Isso. Deita tudo cá para fora. Sem metáforas.
Tinhas planos? Que fofo. Gostavas realmente de partilhar um T1 com essa pessoa? Realmente adorável. Espera, espera… Querias ser o pai dos seus filhos?! Meu amigo, és brilhante! Um verdadeiro génio da comédia. E estás triste por que tudo acabou? Oh meu caro, partilho a tua tristeza, então. Dou-te uma pancadinha no ombro e fica tudo bem.
Não te sentes algo desconfortável por estar a escrever tudo isso aqui? Sem metáforas? O próximo café vai ser algo incomodativo para ti, não?
Pronto, já está tudo? Este pequeno momento de auto-comiseração terá alguma utilidade. Não tens de te rebaixar mais. Está tudo aqui. Em texto. Letras e pontos. É bem mais fácil.
Estás aliviado? Não sabes? Raios, homem! Decide-te! Vá, publica lá isso. É só um clique. Depois vais fumar um cigarro e vais para a caminha. E está feito! Exorcizaste os teus demónios!
Foi um prazer ajudar.
Ah. Verdade Inquestionável e Absoluta #10: Mais vale parecer inteligente que sê-lo.